Cara, esse livro é– Cara, é muito ruim.
Assim, pelo título eu pensei que era um livro de conselho de relacionamento, que o cara ia contar, sei lá, “como foi que eu arrumei minha namorada”, ou “aquela esposa que ferrou com a minha vida”, ou alguma merda do tipo. Mas não.
É tipo uma série de mini-historinhas que tem a ver com umas mulheres lá. Mas, cara, as coisas são muito sem graça, porque são três extremos:
Primeiro, “terminou com a namorada e ficou triste”. Segundo, “Minha avó está com alzheimer e tenta contar a primeira vez que fez sexo”. Ou o terceiro, que é pura nojeira e bizarrice.
Eu me forcei a ficar no livro até o final, tipo, “Não, vai que tem uma história boa no meio”–
É só cocô.
Quanto a terceira… É… A história é assim. Tem uma moça. A moça, não deram o nome dela, é só a moça. Aí, chega um cego nela. “Ô, Isabel, vamo pra casa.” Aí, a moça não é a Isabel, mas, leva ele pra casa dele e tal. Aí, do nada, ele tasca com um beijo nela.
Isso mesmo que você ouviu. Eles começam a fazer sexo. E aí, uma hora, o cego fala pra ela, “cê tem certeza que cê é a Isabel?”
Aí, ela responde, sim, mesmo… não sendo. Pois é, o livro também é esse grau de barbaridade. E aí, depois, eles dormem.
Aí, a moça acorda, e ele tá morto. Ele cortou os pulsos. E aí, ela chama a polícia, e a polícia vai falando com ela, é, “Ai, esse cara não tinha família não, blá, blá, blá, só tinha a irmã dele lá, a que tava cuidando dele.”
Aí a moça vai lá e pergunta quem era essa irmã, “Ah, é a Isabel”. Sim. Esse é o tipo de piada do livro. Incesto.
Tinha escrito um comentário, mas pesquisei um detalhe e achei muitos equívocos no que falava então uma crítica decente do livro, que é uma coletânea de textos antigos e novos. Tem um trecho de Isabel no fim, a história que conhecia e que achei não ter sido bem retratada aqui.
Isabel
Apontamentos para uma história de horror. Ou um novelão. Uma mulher — trinta e quatro, trinta e cinco anos, solteira, tímida, poucos amigos, morando sozinha — está um dia olhando os novos lançamentos numa livraria, pois seu maior prazer é a leitura, quando sente uma mão no seu braço e ouve uma voz de homem que diz:
— Vamos?
Ela vira-se, já pronta para repelir o homem rispidamente, como faz com todos que ousam importuná-la, quando nota que o homem é cego. Fica sem saber o que dizer. O homem estranha o silêncio, aperta o seu braço e diz:
— Isabel?
E ela, sem saber por que, mas com a intuição de que a sua vida a partir daquele instante será outra, o coração batendo, diz:
— Sim…
— Vamos?
E ela, o coração batendo:
— Vamos.
O homem é mais moço do que ela. Bonito. Bem vestido. Bem cuidado. Deixa-se guiar por ela, fazendo perguntas sem muito interesse. Por que estão pegando um táxi e não o carro? Ela diz que perdeu a chave do carro na rua. Ele sorri e diz “Você…”. Quando chegam no apartamento dela ele pergunta onde estão. Ela diz “Em casa…”, e ele diz “Estranho…”. Mas não diz mais nada.
Sem meme, quando vi a imagem jurei que era algum shitpost. Não li o livro, mas pelo que descreveu é isso que o é, um shitpost pra boomer (masculino).
Felizmente para nós, e infelizmente pro autor, os boomers (masculino) não tem o habito de leitura.
Ainda sim, vou salvar essa imagem pois a capa é um bom shitpost pra colocar como resposta em algum comentario.
Parece mesmo, parando pra pensar assim.



