Tinha escrito um comentário, mas pesquisei um detalhe e achei muitos equívocos no que falava então uma crítica decente do livro, que é uma coletânea de textos antigos e novos. Tem um trecho de Isabel no fim, a história que conhecia e que achei não ter sido bem retratada aqui.
Isabel
Apontamentos para uma história de horror. Ou um novelão. Uma mulher — trinta e quatro, trinta e cinco anos, solteira, tímida, poucos amigos, morando sozinha — está um dia olhando os novos lançamentos numa livraria, pois seu maior prazer é a leitura, quando sente uma mão no seu braço e ouve uma voz de homem que diz:
— Vamos?
Ela vira-se, já pronta para repelir o homem rispidamente, como faz com todos que ousam importuná-la, quando nota que o homem é cego. Fica sem saber o que dizer. O homem estranha o silêncio, aperta o seu braço e diz:
— Isabel?
E ela, sem saber por que, mas com a intuição de que a sua vida a partir daquele instante será outra, o coração batendo, diz:
— Sim…
— Vamos?
E ela, o coração batendo:
— Vamos.
O homem é mais moço do que ela. Bonito. Bem vestido. Bem cuidado. Deixa-se guiar por ela, fazendo perguntas sem muito interesse. Por que estão pegando um táxi e não o carro? Ela diz que perdeu a chave do carro na rua. Ele sorri e diz “Você…”. Quando chegam no apartamento dela ele pergunta onde estão. Ela diz “Em casa…”, e ele diz “Estranho…”. Mas não diz mais nada.











First video: I saw the light, don’t be fooled by the lies they tell you.
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